Bronquiolite Viral Aguda

A bronquiolite é uma infecção respiratória aguda, que aumenta muito nos meses de outono e inverno, e é uma das principais causas de admissão hospitalar em crianças menores de 1 ano. Causa preocupação nos pais, que ficam assustados com esse diagnóstico. É causada por vírus, que compromete as vias aéreas de pequeno calibre, os bronquíolos. A infecção provoca inflamação e inchaço dos bronquíolos, causando obstrução à passagem do fluxo de ar nas pequenas vias aéreas. 

A idade de acometimento é de até dois anos de idade, sendo mais grave nos primeiros seis meses de vida, em prematuros, crianças com doença cardíaca, respiratória ou neurológica pré-existente e imunossuprimidos. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o agente mais comum, mas outros vírus também podem causar a doença, como rinovírus, metapneumovirus, parainfluenza, influenza e adenovírus, entre outros. 

A grande maioria dos casos se apresenta de forma leve, com secreção nasal e tosse discreta, entretanto 5% das crianças apresentam doença grave, com insuficiência respiratória e necessidade de internação. (2% vão à óbito.). 

Em bebês pequenos, pode ser difícil para a mãe identificar os sintomas , que muitas vezes aparecem como dificuldades na mamada (o bebê pára várias vezes para respirar).

Após a bronquiolite, podem ocorrer sequelas transitórias como chiado recorrente, mas alguns estudos mostram que dependendo da predisposição da criança, pode haver risco aumentado para o desenvolvimento de asma. Raros casos podem evoluir para um quadro mais grave conhecido como Bronquiolite Obliterante. 

Sintomas 

Nos primeiros dois dias, a bronquiolite causa sintomas semelhantes aos de uma gripe ou resfriado, pode ter ou não febre, nariz entupido e coriza. Estes sintomas normalmente duram cerca de três dias e então evoluem para fase da “tempestade”: 

● Chiado no peito 

● Respiração rápida (acima de 50 a 60 incursões respiratórias/minuto) 

● Aumento da irritabilidade e cansaço;

● Diminuição do apetite; 

● Dificuldade para mamar 

● Dificuldade para dormir

● Vômitos 

Casos Graves 

● Gemência 

● Batimento acelerado das asas do nariz 

● tiragem intercostal e fúrcula (costelas ficam mais evidentes ao respirar e afunda na região do pescoço) 

● Sonolência ou agitação 

● Arroxeamento (cianose) de lábios e extremidades 

● A fase da “tempestade” geralmente dura até o final da primeira semana

Depois disso, o quadro vai melhorando e leva entre três a quatro semanas até que tudo passe. Enquanto isso, o acompanhamento médico é essencial. A duração depende de fatores como: idade do paciente, gravidade da doença, agente causador (vírus), condições de alto risco (ex: prematuridade, doença pulmonar crônica) e fatores genéticos.

Diagnóstico 

É sugerido pela apresentação clínica (sintomas de infecção de via aérea superior seguida por desconforto respiratório em criança menor de 2 anos), época do ano. (o período sazonal de maior prevalência dos vírus causadores da bronquiolite varia de acordo com cada região do país). Pode ser solicitado um rx tórax nos casos graves ou se houver suspeita de infecção bacteriana secundária (pneumonia). Pode ser realizado pesquisa viral na secreção nasal em casos selecionados pelo médico ou que requerem internação hospitalar.

Tratamento 

Não há tratamento específico para a bronquiolite. Na maioria dos casos, o tratamento é de suporte. 

A bronquiolite de apresentação leve, deve ser tratada em casa. Os pais devem ficar atentos à hidratação da criança (com muito cuidado caso a criança apresente respiração mais rápida, devido ao risco de broncoaspiração) e à fluidificação das secreções (solução salina na narinas). Podem ser administrados antitérmicos se apresentar febre. 

Crianças com desconforto respiratório moderado ou grave, devem procurar o hospital, para receber medidas de suporte como hidratação e oxigênio. 

Quando procurar o hospital? 

● Diminuição das mamadas e/ou aceitação de líquidos, redução da diurese (menos troca de fraldas)

● Dificuldade para respirar (respiração rápida e curta, batimento acelerado das asa do nariz, costelas ficam mais evidentes ao respirar e afunda na região do pescoço, gemência) 

● Arroxeamento labial (cianose) ou de extremidades 

● Criança irrequieta ou sonolenta 

● Pausa respiratória (apnéia). 

Antibióticos não estão indicados, a não ser que ocorra infecção bacteriana secundária.Outras medicações como corticóides e broncodilatadores apresentam indicações controversas, não devendo ser administrados de rotina (não indicados pelos consensos médicos atuais). 

Prevenção 

O VSR é altamente contagioso e pode permanecer ativo em superfícies por várias horas. É transmitido pelo contato com uma pessoa infectada e pode se espalhar facilmente através das famílias, creches e hospitais. A transmissão por gotículas e aerossóis também são observadas em outros vírus causadores da bronquiolite.

Lavar as mãos com frequência ou usar álcool em gel, desinfecção do ambiente e objetos que a criança teve contato, evitar que o bebê receba visitas de pessoas com resfriado, evitar locais pouco ventilados com aglomeração de pessoas e, no caso da mãe apresentar tais sintomas, usar máscara. 

Vacinas contra o VSR para a faixa etária pediátrica estão em estudos. Temos para a a faixa etária pediátrica os anticorpos monoclonais e vacinas para as gestantes (que vão proteger o bebê):

  1. Palivizumabe (anticorpo monoclonal) 

Os critérios de inclusão atuais para o uso do Palivizumabe, definidos segundo Portaria do Ministério da Saúde n. 522, de 13 de maio de 2013, são: 

  • Crianças prematuras nascidas com idade gestacional menor ou igual a 28 semanas (até 28 semanas e 6 dias) com idade inferior a 1 ano (até 11 meses e 29 dias). 
  • Crianças com idade inferior a 2 anos (até 1 ano 11 meses e 29 dias) com doença pulmonar crônica da prematuridade (displasia broncopulmonar) ou doença cardíaca congênita com repercussão hemodinâmica demonstrada. Está disponibilizado gratuitamente (SUS) para crianças pertencentes a esses grupos, hospitalizadas ou não. 

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), através do documento “Diretrizes para o manejo da infecção causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR), 2017”, preconiza também a profilaxia para, além dos grupos contemplados pelo Ministério da Saúde, bebês prematuros nascidos entre 29 e 31 semanas e 6 dias de idade gestacional nos primeiros 6 meses de vida, durante a sazonalidade. 

Diversas evidências demonstram que este é também um grupo vulnerável para desenvolver formas graves da infecção e que há benefício na profilaxia desta população. 

A dose é de 15mg/kg de peso intra-muscular. 

A administração é feita em no máximo 5 doses consecutivas, uma a cada 30 dias, no período de sazonalidade do vírus. 

Sazonalidade por região: 

● Norte: fev a junho 

● Nordeste, centro-oeste e sudeste: março a julho

● Sul: abril a agosto

2. Nirsevimabe (Beyfortus®)

O nirsevimabe, anticorpo monoclonal mais moderno (comercialmente chamado Beyfortus®), chegou ao Brasil com a promessa de revolucionar a prevenção do VSR.
Diferente do Synagis®, basta uma única dose para proteger o bebê durante toda a sazonalidade do vírus.
Indicações principais:

  • Todos os bebês com menos de 12 meses de idade, prematuros ou não, com foco especial nos nascidos durante ou pouco antes da época de maior circulação do VSR;
  • Crianças de até 24 meses de idade que permanecem vulneráveis à doença grave causada pelo VSR até a sua segunda temporada, que pode incluir, mas não se limita a crianças com:

    – Doença pulmonar crônica da prematuridade (DPC)
    – Doença cardíaca congênita hemodinamicamente significativa (DCC)
    – Imunocomprometidos
    – Síndrome de Down
    – Fibrose cística
    – Doença neuromuscular
    – Anomalias congênitas das vias aéreas
  • Quando a gestante não foi vacinada contra o VSR

Atualmente, o Nirsevimabe (Beyfortus®) pode ser adquirido na rede privada, e os planos de saúde já começaram a incluir sua cobertura, especialmente quando há recomendação médica baseada nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), de acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Deve chegar em breve no SUS.

3. Vacina para gestante (Abrysvo)

Desde 2024, está disponível no Brasil a vacina contra o VSR para gestantes, aplicada entre a 32ª e 36ª semanas de gravidez. Quando a gestante é imunizada nesse período, o bebê já nasce com anticorpos protetores transferidos pela placenta. Nesses casos, não há recomendação de aplicação do Beyfortus no bebê saudável, pois ele já está protegido pela imunização materna.
Atenção: se o bebê nasceu menos de 14 dias após a vacinação materna, talvez não tenha dado tempo de transferir anticorpos suficientes e uma dose do Nirsevimabe deve ser considerada. Se o bebê nasceu antes de 34 semanas, essa transferência de anticorpos pode também ter sido incompleta. Se ele tem condições que aumentam o risco de infecção grave, como cardiopatia congênita ou imunodeficiência, o Nirsevimabe pode ser ser indicado mesmo com vacinação materna.

A vacina para gestantes (Abrysvo ) foi aprovada no SUS, devendo chegar em breve às unidades básicas de saúde. Disponível nas redes privadas de vacinação.


Em caso de sintomas busque um profissional qualificado.

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Dra. Ana Clara Toschi

Pneumologista Pediátrica

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